Experiências Lília
“Se não sentir nada, preciso ir ao ginecologista?”
“Se não sinto nada, não preciso ir ao ginecologista.”
Essa é uma frase bastante comum – e que já poderia ter sido aposentada há muitos anos. Afinal, você também não espera o carro parar no meio da rua para lembrar que precisava abastecer, não é?
Quando o assunto é saúde da mulher, a ausência de sintomas não significa, necessariamente, que não exista nada a ser acompanhado. Algumas alterações ginecológicas podem começar de forma silenciosa e só provocar sinais quando já estão mais avançadas.
Por isso, a consulta ginecológica preventiva e os exames indicados para cada mulher são importantes mesmo quando, aparentemente, está tudo bem.
Por que ir ao ginecologista mesmo sem sintomas?
Alterações no colo do útero, nas mamas, nos ovários, no endométrio, nos níveis hormonais e até algumas infecções podem não causar sintomas em suas fases iniciais.
A mulher pode se sentir ótima e, ainda assim, precisar atualizar seus exames, conversar sobre o ciclo menstrual, avaliar o método contraceptivo, acompanhar o DIU ou investigar fatores de risco relacionados ao seu histórico pessoal e familiar.
E se você está se sentindo bem, ótimo! A intenção do acompanhamento preventivo é justamente ajudar você a continuar assim.
A consulta não precisa acontecer somente quando “deu ruim”. Ela também é um espaço para conhecer melhor o próprio corpo, esclarecer dúvidas e observar mudanças que podem passar despercebidas na rotina.
Consulta ginecológica não é só para resolver sintomas
Quando a mulher procura atendimento apenas depois que algum incômodo aparece, é comum que várias questões tenham se acumulado: dor, corrimento, atraso menstrual, mudanças no ciclo, dúvidas sobre anticoncepcional, desconforto nas relações ou sintomas relacionados à menopausa.
Tudo chega junto, quase como família em almoço de domingo.
É claro que essas situações podem ser investigadas durante a consulta. Mas acompanhar a saúde regularmente permite organizar esse cuidado com mais tranquilidade e, quando necessário, identificar alterações mais cedo.
Na consulta ginecológica, o médico pode avaliar aspectos como:
- Ciclo menstrual;
- Saúde das mamas;
- Uso de anticoncepcionais;
- Acompanhamento do DIU;
- Planejamento reprodutivo;
- Fertilidade;
- Sintomas da menopausa;
- Histórico familiar;
- Infecções ginecológicas;
- Necessidade de exames de imagem ou laboratoriais.
Cada mulher possui uma história, uma fase da vida e necessidades diferentes. Por isso, o acompanhamento deve ser individualizado.
O preventivo é um exame de rastreamento, não de emergência
O exame preventivo é realizado para identificar alterações no colo do útero antes que elas evoluam ou provoquem sintomas.
Atualmente, o rastreamento pode envolver a citologia – conhecida como Papanicolau – ou o teste de DNA-HPV, conforme a disponibilidade, a faixa etária e o protocolo adotado. As diretrizes brasileiras publicadas em 2025 passaram a recomendar o teste de DNA-HPV oncogênico como método primário nos programas organizados de rastreamento. Quando o resultado é negativo, o intervalo recomendado pode ser maior. Veja as orientações do INCA.
Isso mostra por que consulta e exame preventivo não são exatamente a mesma coisa. A mulher pode precisar retornar ao ginecologista antes do próximo exame de rastreamento, dependendo da sua saúde, dos seus sintomas e do seu histórico.
O intervalo ideal deve sempre ser definido pelo profissional que acompanha a paciente.
Qual é o papel do ultrassom no acompanhamento ginecológico?
O ultrassom é um importante aliado na avaliação da saúde da mulher. Quando indicado, ele permite observar estruturas internas e complementar as informações obtidas durante a consulta e o exame clínico.
O ultrassom pélvico ou endovaginal pode ajudar a avaliar:
- Útero;
- Endométrio;
- Ovários;
- Folículos ovarianos;
- Posicionamento do DIU;
- Miomas;
- Cistos;
- Pólipos;
- Outras alterações ginecológicas.
Em determinadas situações, também pode ser indicado o ultrassom das mamas e axilas para complementar a investigação médica. É importante lembrar que o ultrassom mamário não substitui automaticamente a mamografia: cada exame possui sua indicação e pode ser solicitado de acordo com a idade, os sintomas, o histórico e as características das mamas. O próprio Ministério da Saúde apresenta a ultrassonografia como uma possibilidade de investigação complementar após avaliação profissional. Saiba mais sobre os exames de investigação das mamas.
Também é importante entender que nem toda mulher precisa realizar ultrassom em todas as consultas. O tipo de exame e sua frequência devem ser definidos individualmente, conforme a avaliação médica.
Na Lília Medicina, o ultrassom vai além da formação de imagens. O exame é realizado com cuidado, acolhimento e explicações claras, para que cada paciente compreenda o que está sendo avaliado — sem dúvidas e sem pressa.
Com que frequência é preciso ir ao ginecologista?
Muitas mulheres recebem a orientação de manter uma consulta de rotina anual. Entretanto, a frequência ideal pode variar conforme a idade, o histórico de saúde, os fatores de risco e os resultados de exames anteriores.
Algumas pacientes podem precisar de acompanhamento mais próximo, especialmente aquelas que:
- Utilizam DIU;
- Possuem histórico familiar relevante;
- Já apresentaram alterações no preventivo;
- Estão investigando sintomas;
- Estão tentando engravidar;
- Acompanham cistos, miomas ou endometriose;
- Passam por alterações hormonais ou pela menopausa.
Por isso, não existe uma única frequência válida para todas as mulheres. O mais importante é não abandonar o acompanhamento e seguir a orientação do profissional responsável.
Não sentir nada também é motivo para se cuidar
A consulta preventiva é como uma revisão: ela ajuda a acompanhar o que está bem e a perceber mudanças antes que se transformem em preocupações maiores.
Você não precisa esperar sentir dor ou notar algo diferente para procurar orientação. Estar bem pode ser justamente o melhor momento para realizar sua consulta e, quando houver indicação, fazer o ultrassom adequado para a sua fase de vida.
A prevenção permite conhecer o final da história antes que ela vire uma tragédia. E, quando o assunto é saúde, a gente gosta mesmo é de um bom spoiler.
Veja o episódio 38 do Café com a Lília
Quer entender melhor por que a ausência de sintomas não elimina a necessidade de acompanhamento ginecológico?
No episódio 38 do Café com a Lília, as doutoras Alécia e Thaísa conversam sobre a importância da consulta preventiva, dos exames de rastreamento e do ultrassom quando indicado – tudo de uma maneira leve, clara e bem-humorada.
Assista ao episódio completo e descubra por que estar se sentindo bem é justamente um ótimo momento para cuidar da sua saúde 🥰